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A casa dos avós

Escrito em 12/6/2020 O portão branco que abria quando colocávamos a mão por dentro para abrir o trinco. Seguiam-se dois degraus (se a memória não me trai), e em seguida os degraus que nos fariam chegar à porta da casa. O corrimão de madeira preta já com algumas farpas. As rosas que se entrelaçavam com as vinhas que por ali trepavam as grades. A porta da casa castanha, com uma grade dourada, que permitia abrir a janela da mesma porta (e onde o padeiro deixava o saco do pão pendurado).  Éramos recebidos pela avó, com o seu largo sorriso, cabelo pintado, por vezes o avental posto e com um beijinho demorado na bochecha. O avô também aparecia todo gabarolas, sempre com o beijo mais repenicado do mundo (até entupia o ouvido).  A viagem começava na entrada,do lado esquerdo, com o bengaleiro por trás da porta (sempre cheio de coisas), à direita tínhamos a cozinha. Não era muito grande mas cabiam coisas até mais não. A mesa com o café de cevada pronto, o frigorífico com a embalagem d...

Viver às pressas

 Vivemos numa corrida atrás da morte Em Agosto já estamos com o regresso às aulas; No mesmo Agosto já se vendem artigos do Halloween;  Em Outubro já pensamos no Natal! E, vivemos com pressa de chegar a determinada data, a determinada festa... E, esquecemo-nos de viver o hoje...!!! Já não temos tempo de apreciar um pôr do sol, de agradecer pela chuva que cai das nuvens negras. Esquecemos de dizer o quanto gostamos de alguém, porque amanhã ainda é dia!!! Passamos a vida a pensar no que vamos comer para sermos saudáveis, no que faz bem ao nosso corpo, que vive cansado de tanto correr! Somos uma brisa de passagem pela terra e já não sabemos apreciar a gargalhada de uma criança ou a história de vida de um idoso. Somos um corpo que vive em função de ser gordo ou magro, de ter celulite ou estrias, de ter borbulhas ou manchas e de procurar a perfeição. Perdemos pouco tempo a fazer o que realmente gostamos porque temos as restantes obrigações. Às vezes até arrisco dizer que nos esquece...

Ser crescido é uma valente merda

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Quando somos crianças passamos a vida a querer ser crescidos, a querer fazer o que os crescidos fazem. No fundo, passamos o tempo a brincar aos crescidos! Aos pais e às mães, aos filhos e às mães, aos supermercados, aos cabeleireiros, aos veterinários, aos médicos... Quando damos conta já somos mesmo crescidos!  E aí é o aí Jesus! Arranjar emprego, aturar patrões, contar tostões, casar, comprar casa, ter filhos... E se tudo isto tem o seu lado bom é claro, também tem o seu lado amargo... Quando somos crescidos, os outros à nossa volta mais crescidos ficam, os nossos avós mais crescidos estão, os nossos pais o mesmo! E aí é que vem a valente merda, quando somos apanhados de surpresa com uma notícia menos boa, quando vemos os nossos amores mais crescidos a terem problemas de saúde, quando enfrentamos a morte de algum, e quando levamos um susto de outro.  Quando somos crescidos já não vemos o mundo cor de rosa, já sabemos que o mundo tem muitas cores e, muitas vezes as cores são ...

Parabéns onde quer que estejas...

Hoje o céu está em festa, completarias hoje mais um aninho neste mundo, mas agora festejas no céu! Só quero que saibas que estás sempre no meu pensamento, que as saudades só aumentam... Pedi-te um sinal ontem e, tu hoje passaste por mim... Senti bem o teu cheiro mas só mais tarde associei ao meu pedido! Que estejas feliz aí no céu, Que continues a tomar conta de nós, Que continues a passear de vez em quando por aqui para me dares um aconchego no coração! Um grande beijinho avó e que estejas eternamente feliz e em paz! P.S. Tenho tantas saudades do teu arrozinho de lulas, que falta que me fazes...

Era uma vez uma menina...

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Era uma vez... Porque todas as histórias começam com um "Era uma vez"... Era uma vez uma menina cheia de sonhos que apanhou o expresso para uma aventura de 4 anos! Uma menina de 17 anos que se mudou de malas e bagagens para uma nova cidade, no Alto Alentejo, onde não conhecia NADA nem ninguém. Uma menina inocente, timida, menina dos papás que, nunca tinha sido saído debaixo da asa dos mesmos. Foram tempos dificeis! Muita lágrima correu, muito medo sentiu, muitas dificuldades enfrentou... Filha única, viu-se a partilhar o quarto com duas pessoas desconhecidas... Felizmente, situação temporária até dividir apenas o espaço com uma pessoa desconhecida, mas muito acolhedora, simpática, preocupada e, com um sotaque inesquecível ;) Era, ela, sem dúvida quem amparava as quedas, quem ouvia os desabafos, quem tirava os óculos quando a menina adormecia a ver TV.... A menina teve de aprender a dividir o quarto, o roupeiro, o lavatório, a janela, o aquecedor, a casa de...

6 meses

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Há 6 meses que não ouço a tua voz. Há 6 meses que não te dou um beijo. Há 6 meses que não te posso abraçar. Há 6 meses o meu coração ficou partido. Há 6 meses conheci uma dor insuportável. Há 6 meses que o mundo não é o mesmo. Há 6 meses que parte da minha vida mudou. Há 6 meses que sou mais pobre. Há 6 meses que sinto uma saudade inexplicável. Há 6 meses que falo contigo em pensamento. Há 6 meses que és a estrelinha mais brilhante do céu. Há 6 meses que olho para o céu e procuro-te nas noites encobertas. Há 6 meses dou-te as boas noites pela janela da minha cozinha. Nestes 6 meses o que me tem confortado é que, por vezes, do nada sinto o teu cheiro..., e às vezes sonho contigo e estás feliz. Sei que estás a olhar por nós e nos proteges, mas sinto a tua falta fisicamente. 6 meses que passaram e a saudade só aumenta... Gosto de ti avó... Sinto TANTO a tua falta! A foto não é a melhor mas a que o telemóvel permite...a estrela mais brilhante do ...

O baloiço da Amizade

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Se este baloiço falasse teria tanto para contar... Ali ouvimos gargalhadas sem fim; Ali vimos lágrimas cair; Ali muitos sonhos voaram com o vento; Ali desentendimentos existiram; Ali muitas histórias foram contadas; Ali foram passadas horas e horas; Ali fizeram-se penteados; Ali existiram muitas pinturas extravagantes; Ali unhas e mais unhas foram pintadas; Ali os sorrisos mais lindos do mundo foram mostrados; Ali vimos a evolução dos nossos filhotes; Ali contaram-se segredos; Ali combinaram-se encontros; Ali trocaram-se beijos e abraços super doces; Ali disseram-se muitos disparates; Ali surgiram amizades para a vida; Ali foram e fomos felizes! Graças a este baloiço e, ao banco que está mesmo de frente, viveram-se momentos mágicos, cheios de ternura e cheios de rabugice também. Enquanto as crianças brincavam as mães e avós conversavam. Surgiram amizades... não só entre as crianças... Sou grata por ter conhecido este cantinho durante dois anos e por todas as ...